terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Momentos...

Hoje tive momentos de lampejos, vi em meus muitos lampejos o passado distante, sei que nada importa o passado quando se tem em vista um presente atribulado e um futuro incerto e cheios de planos que podem ou não dar certo
O fato de hoje eu ter a necessidade de escrever minhas memórias é para que como numa capsula do tempo guardar meus sentimentos e pensamentos o que eu acredito ter feito mas ao invés de enterrar na terra enterrei em meu peito, passei por muitos momentos tristes sufocantes em que eu realmente pensei em... besteiras hoje denomino como besteiras, a vida ensina das piores formas para aqueles que como eu não tiveram paciencia para entender que a vida é bela e que os momentos unicos da vida são aqueles em que você respira pois não há de fato um momento especial são conjuntos de pequenos momentos que te fazem acreditar em um dia melhor e que vale mesmo a pena estarmos vivos.

O tempo andava cada dia mais depressa não via a hora de chegar a formatura, estudava na creche da vila Rica, lá tinhamos diretores linha dura como o falecido padre Salésio e a Dna Neide, Dna Helena uma dentista que arrancava os dentes antes de ficarem moles e sem anestesia (risos) mas tinhamos também a Tia Denise...
Tia Denise foi a quarta ou quinta tia que eu tive nesse lugar as primeiras me expulsaram das salas pois eu era um tanto inquieto de mais, e falava muitas coisas que hoje sei que uma criança não deve falar, mas eu sempre queria chamar atenção fosse do modo correto ou grosseiro mas eu queria assim mesmo, quando fui pra sala dela eu não acreditava em anjos e nem que esses caminhavam entre nós, e eu sei que a Tia Denise era um anjo, ela me ensinou muita coisa que eu não queria aceitar, meus pais estavam em crise em casa e eu não aceitava por isso era um capeta na creche, com todo carinho ela me pegava pela mão e me mostrava que no meio de uma tempestade pode-se ter coragem e enfrenta-la para vermos o arco-ires e nele resgatar a felicidade guardada, senti uma forte ligação entre nós até que um dia...
A tia Denise chegou, meio chateada de cabeça baixa como se não tivesse coragem de nos encarar, seu brilho, sua alegria cessaram, lembro dela sentando em cima da mesa de calça jeans clara com os olhos cheios de lagrimas dizendo que não ficaria para a formatura da turma faltava pouco mais de um mes eu acho e ela ali falando com o olhar fixo na parede eu me desesperei "como vou perde-la? e agora o que será de mim? ela ta sofrendo "

"Tia Denise não me deixa!" ao dizer isso sai correndo abracei-me em suas pernas e chorando implorei "não me deixe" ela não aguentou e começou a chorar lembro de um abraço apertado de uma despedida daquelas que você sente que nunca mais vai ver a pessoa que você ama, eu não queria solta-la pensei "_se eu não soltar ela vai ficar eu sei que vai" mas ela não ficou, na formatura tivemos outra tia ironicamente Denise, mas não era a minha Denise... em 91 ou 92 recebi de sua mãe a Dentista Helena um livro Pinóquio que eu tenho até hoje e na leitura que fiz inumeras vezes eu a vejo como minha fada azul...


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